O que é um editorial?
De uma maneira bem simplista eu diria que um editorial é um texto onde um jornalista ou uma empresa jornalística expressa opinião sobre um assunto, um tema ou uma situação que impacta política, econômica ou socialmente a população, por isso é de interesse público e, assim, é dever do Jornalismo informar ainda que adentrando na arena da opinião. Por esse motivo que este texto está escrito em primeira pessoa do singular (eu).
Agora, partindo do conceito de
Gênero Jornalístico, de maneira também simplista posso dizer que o editorial é
um produto dentro do Gênero Opinativo que deve ser redigido com base em fatos
e, por isso, também demanda a devida apuração igualmente qualquer outro produto
jornalístico.
Mas, a explicação conceitual
sobre gênero vai muito além disso, pois a literatura acadêmica disponível
inclui diversas correntes de pesquisa que versam desde o pensamento filosófico,
com os paradigmas do Essencialismo, Classicismo e Neoclassicismo, partindo da
proposta de Platão de que a produção de conhecimento é resultado da relação
entre ideia e forma, passando pela reflexão de Aristóteles que propôs a
estrutura do discurso em três elementos “quem fala; sobre o que se fala e para
quem se fala” (o que é um dos princípios básicos da comunicação: emissor,
mensagem e receptor), seguindo pela teorização de Horácio nos tempos do
Renascimento, em que surgiram novas formas de escrita (poesia dramática,
narrativa e lírica), chegando a ideia do Romantismo de que havia a relação
subjetiva sujeito-objeto dando vazão à imaginação, até a chegada do Realismo
com a influência das ideias positivistas do Naturalismo/Darwinismo, que definiu
gênero a partir da substância e, por fim, com o Estruturalismo e o Formalismo
Russo que aproximaram esse conceito dos gêneros jornalísticos, influenciando os estudos da análise do
discurso (Mikhail Bakhtin), levando em conta os estudos linguísticos (Ferdinand
de Saussure).
Eu sei que o último parágrafo
ficou enorme, mas acredite, isso foi uma tentativa de resumir séculos de
conhecimentos que também tem a ver com a comunicação. Quando a gente se
debruça a estudar, fica nítido que o conceito de gênero é um produto histórico
que está sujeito a mudanças e atualizações até chegar ao ponto de cair em
desuso. Esse entendimento também é um fato quando estudamos linguística e, especificamente
falando sobre Jornalismo, a aplicação é bastante semelhante.
A história do Jornalismo no mundo
demonstra que essa divisão entre informação e opinião demorou a se consolidar e
para chegar na classificação sob a qual ainda devemos produzir, que é a
seguinte: no Gênero Informativo temos a Nota, a Notícia, a Reportagem e
a Entrevista; no Gênero Opinativo estão o Editorial, o Comentário, o
Artigo, a Resenha, a Coluna, a Caricatura, a Carta e a Crônica; no Gênero
Interpretativo, a Análise, o Perfil, a Enquete, a Cronologia e o Dossiê; no
Gênero Diversional, História de interesse humano e a História colorida;
e, por fim, no Gênero Utilitário, o Indicador, a Cotação, o Roteiro e o
Serviço.
O que me causa indignação
atualmente nessa era digital é ver a banalização da qualificação para atuar na
área da comunicação. Apesar do aspecto subjetivo que existe em certa medida,
pois a comunicação é um sistema que está presente em tudo, é a lógica que
permite o mundo funcionar do jeito que conhecemos. No entanto, para ser
comunicador(a) não basta ter somente aquilo que chamamos de talento, é
fundamental saber fazer e entender os modos de fazer.
Ou seja, não basta ser
minimamente alfabetizado e ter um letramento digital básico para criar um
perfil no Instagram ou em qualquer outro canto da Internet, com uma logomarca,
uma identidade visual que parece jornalística e sair escrevendo, gravando ou pior:
postando vídeos e fotos produzidos por outras pessoas sem atribuir os devidos
créditos (o que é crime de plágio) e ainda achar que isso é Jornalismo.
Portanto, para escrever um
editorial é preciso saber não somente sobre o que se está escrevendo, mas
também entender a forma textual, incluindo o básico de ortografia e regras
gramaticais, além da estrutura narrativa que diz respeito a linguagem, que permite
sim a emissão de opinião e não de ofensas.
Então, eu escrevi esse editorial
por dois motivos: primeiro porque eu tenho estudado sobre os gêneros
jornalísticos e sobre linguística aplicada desde 2010, quando entrei na
graduação de Letras Português, na antiga UFPA (Universidade Federal do Pará)
que depois, em 2013, passou a ser UNIFESSPA (Universidade Federal do Sul e
Sudeste do Pará). E o segundo e mais urgente motivo é: para contribuir com a
propagação de informação segura sobre algo tão específico e tão importante
nesses tempos infortúnios de desinformação.
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